Vem aí nossa estreia!

1 out

Foto: Divulgação

Orixás Center emCena é uma proposta cênica de quatro trajetos para quatro performers, que se desenvolve no estacionamento São Raimundo e seu entorno, buscando  revitalizar poeticamente este lugar e seus habitantes, por meio da figura do viajante.

O viajante que vai de um lugar para outro, deixando suas pegadas no seu percurso, ou nas pessoas que se encontram neste lugar. Por meio desta figura se instala a noção dos percursos que se executam simultaneamente sincronizados para realizar o projeto poético. Cada trajeto é em si mesmo uma peça teatral, que reflete diferentes temáticas: a miséria, a questão do gênero, a presença do feminino na atualidade e como este é entendido e experimentado em nossa sociedade.

Orixás Center emCena questiona a noção do amor com a qual convivemos, por meio da presença de vários(as) noivos e noivas. Revisitamos o ritual do casamento, enquanto performance social, executada justamente como um ato, no qual as coisas que se inserem nela (vestidos, festas, comidas, presentes, etc.) parecem ser mais importantes do que o fato de duas pessoas experimentarem um ritual de transição; deixar de ser um para conviver com o outro, e assim ter a possibilidade de experimentar a união. Inseridos em nossa cultura de consumo, é comum acreditarmos num amor como aquele da novela das oito, cheio de desencontros, traições, mentiras, aquele que nos enlouquece, que nos faz perder a razão. A encenação oferece uma alternativa sobre essa noção, o Amor (com maiúscula) presente em tradições orientais e ancestrais, um Amor que é a força da união, que não se limita simplesmente a juntar-se com outro ser, mas que se integrar à dualidade de cada ser humano, para logo integrar ao entorno.

Foto: Divulgação

A encenação faz parte do campo prático da pesquisa de Doutorado em Artes Cênicas de Paulina Dagnino Ojeda. A proposta surgiu no curso de extensão Espaço Público e Encenação, ministrado pela artista e realizado na Escola de Teatro da UFBA. A encenadora chilena vem desenvolvendo pesquisa com teatro em espaços não convencionais desde Santiago, e está interessada na recuperação dos espaços da cidade, por meio da poesia cênica. Observa-se que nas cidades existe um desapego dos espaços de memória coletiva, com a justificativa da produção – um exemplo é a demolição do estádio da Fonte Nova, e eventos semelhantes que vêm ocorrendo em Salvador durante os últimos messes. A proposta, no caso, não seria a de demolir um espaço para construir um melhor, uma vez que o antigo está carregado de histórias e memórias que continuam numa sociedade. É este fato, tão comum na atualidade, entre outros, que motiva a jovem encenadora chilena a experimentar o teatro na rua.

O projeto estará em cartaz as sextas e sábados do mês de outubro a partir do dia 08-10, ao meio-dia, no Orixás Center. Os ingressos custam $10 e $5 (meia), sendo GRATUITO para quem for assistir completamente de branco.

SERVIÇO

Dias: sextas e sábado de outubro (8/10 – 30/10)

Horário: 12h (meio-dia)

Valor: $10 e $5, GRATUITO para quem for assistir vestido completamente de branco.

Onde: Centro Comercial Orixás Center.

Telefone de contato: (71) 8848-0150

Ainda não acredito que ela vai se casar…!!!

16 set

Uma das participantes de Orixás Center emCena começou a espalhar por e-mail o dia de seu casamento:

“Assunto: Meu Casamento

Galera,

Estou convidando vocês para o meu casamento com Jackson no dia 8 de Outubro  na Igreja de São Raimundo no centro da cidade. Gostaria que todos estivessem de branco como os noivos. Não é macumba não. É meu casamento.

Cheguem todos no horário pois não vou me atrasar. Quero compartilhar esse momento tão lindo que a vida nos reservou com vocês. Mandarei o convite oficial muito próximo pq ainda vamos fotografar dia 18,porém,todos estão avisados.

Para quem não conhece José Jackson, ele é o diretor de” Dois Perdidos numa noite suja”, que por sinal hoje é o último dia e não tem mais ingresso.

Em breve mandarei notícias e mais detalhes.Vocês não vão querer perder esse evento Chick que será meu casamento né? Fiz a numerologia aumentei uma letra no meu nome, estou demais.

Um beijo grande. Qualquer dúvida me escrevam.

Márcia Limma. “

No dia seguinte, alguns amigos perguntaram de onde apareceu o noivo, outros a felicitaram e tal. Certa de que vai se casar, continuou com a história e decidiu contá-la na sua vida diária para todos. A notícia se espalhou pelo círculo de amigos e para outras pessoas. Nestes três dias, ela tem sido vítima das perguntas mais insólitas juntas com desejos de felicidade.

E o noivo? Bom, o noivo aceitou. Os pombinhos hoje se chamam de amor, se beijam e falam de seu casamento para os amigos que continuam sem entender nada. Que perguntam quando os pombinhos não estão juntos: “ tem certeza de que é ele ou é ela?” ” Claaaro!” responde um deles. Eles dão explicações diversas do súbito amor: “É uma história de antes, de muito tempo atrás”, “Surgiu sem a gente perceber, mas queremos nos casar”. Enfim, para cada pergunta uma nova resposta para convencer os amigos da decisão.

Como as pessoas devem ser convencidas de um casamento, como assim? O que aconteceu com a gente no momento que deixamos de acreditar na união, por que duvidamos dela? Precisamos de atestados de amor dos outros? Será que o medo da solidão nos impeli a pedir explicações racionais para algo que pertence ao universo do emocional, do que se sente e se experimenta? Quem somos nós para pedir explicações do amor dos outros?

Por minha parte penso: viva, viva o amor… do sol da terra! Viva a união em nome do amor! E o casamento…? Casamento certamente é uma performance, né? Então, todo mundo está convidado a assitir a performance dentro da encenação. Parabéns pombinhos! Meus melhores desejos na performance de vocês!

Agora

8 set

Não sei falar com certeza quando é que tudo começou… Posso dizer que em abril fiz um cartaz para iniciar a fase prática da pesquisa de doutorado que me trouxe de Santiago à Salvador. Ali o devaneio de fazer teatro na rua do ser individual, neste momento, tornou-se coletivo. Assim, mergulhamos no estacionamento São Raimundo e seu entorno, descobrimos os lugares visíveis e também os invisíveis.

Tenho a lembrança viva na mente, do medo que senti na primeira vez que visitamos a “vila” São Raimundo, as imagens que vi a sensação de estrangeira… Estrangeira mesmo… um centro comercial underground, onde se cozinhavam pamonhas, cuscuz, onde vivem pessoas, onde se cortam cabelos, uma passagem entre a ponte e o estacionamento. Outro local invisível da cidade da Bahia.

E agora…? Agora criamos uma proposta, com todo o que percorremos, agora temos piadas juntos, temos nervos comuns e naturais, temos alegria de ver como a poesia está acontecendo ali, onde os ônibus passam, onde os taxistas aguardam passageiros, onde passageiros aguardam seu ônibus, onde as noivas procuram seus vestidos, onde as câmaras de segurança filmam a miséria.

Ali no meio deta mesma confusão está nossa encenação no espaço público.

A cidade visível(in)

1 set

Para me re-encantar com a cidade da Bahia, para tentar comprendê-la na sua confusão, na sua contradição, na sua poesia bucólica, sempre é bom uma musica e também um lindo pôr de sol, para relaxar. Se a chuva permitir ver o sol na sua hora final…

http://www.youtube.com/watch?v=MQmjLUs1eNs&feature=related

O día que volví a comer harepas

26 ago

Qual é o local da memória? Augé escreveu que para lembrar algumas coisas era preciso se esquecer de outras, que a memória têm uma capacidade limite… Quais coisas esqueci para lembrar o que lembro, como é que lembro consciente o inconsciente?

Nasci lá na Venezuela na década de 80, morei até 85 lá e, dessa época, esqueci quase tudo, era muito pequena para lembrar de algumas coisas. Neste tempo, minha vida se limitava a  brincar, dormir e comer, além de visitar banheiros (sempre foi e segue sendo uma de minhas aflições…)

Anos depois, 15? 20? Não lembro… Experimentei, em Santiago de Chile, em casa de uma família amiga, uma harepa comida tradicional venezuelana (e colombiana imagino que de outros cantos também). Aquela experiência tornou-se inesquecível… Naquele momento que a harepa tocou meu paladar fui transportada a minha terna infância… Através do sabor da tortilha preparada na base de farinha de milho, traspassei todas as fronteiras os limites do tempo e do espaço. Hoje, este momento é uma boa lembrança detrás da qual se escondem quantos e quais esquecimentos?

Vivemos a diário lembrando para esquecer de que? Esqueci de meu sotaque de espanhol venezuelano para logo aprender o sotaque do espanhol chileno,  e hoje, tento me comunicar no país onde esqueço das palavras da minha língua materna, para lembrar, lembrar. Para lembrar que a pronuncia da letra J é uma viagem, sim a J de JAVI, no inicio foi uma J como a pronuncia  da RR no português, escorregadia  e silenciosa no fundo do paladar. Por anos ela teve que vir para frente da boca e ser parecida a uma G do português e hoje “ele”  tem que sair da minha boca com a eletricidade da LL no espanhol do Chile.  E Javi é quem me antecede na família, quem poderia atualizar como quiser a minha memória se é não se esqueceu. Sempre me lembro de nós, quantas coisas esqueci para que isso aconteça?

dejo aquí un link que me recuerda a mi mamá, además de recordarme una enseñanza y bueno ser fuente de inspiración en la propouesta poética http://www.youtube.com/watch?v=Z5ZEce_4fJs&feature=related

Se Salvador/BA fosse um objeto ou animal, qual seria?

16 ago

Um laberinto, no qual um estrangeiro se perde se encotra e se volve a perder, um laberinto onde sentes medo da confusão, um laberinto onde normalmente erras, mas no final tudo dá certo, um laberinto com saída ou sem saída?

Ou um buraco preto… sem tempo nem espaço…?

Um centro de reciclagem? tomara fosse…

meia atlântida? um paraíso tropical? um karma eterno?

Peço licença para escrever em minha língua

16 ago

Para dejar fluir más mi escrita muchas veces postearé en español… o lo que me va quedando de él, para ser honesta creo que estaré escribiendo en este dialecto hibrido llamado portunhol.

grata pela sua comprensão

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