homens Cinza

16 ago

Já percebeu como o dia fica quando se anuncia a chuva, como os pássaros se comportam neste dia? Percebeu que depois de queimada, quando não serve mais pra nada, o pó entorno da brasa anuncia o fim da árvore? Depois do cinza não me parece que algo de bom possa acontecer. E o que seria de um homem cinza meu Deus? Alguém lhe amará? O perceberá, alguém saberá que ele existe? Será que ele tem consciência de estar vivo?

Caminhar pelas ruas de SSA e se deparar a cada esquina com os homens cinzas requer habilidades: Primeiro conter a compaixão; depois mentir e por fim, torná-los invisíveis aos olhos.

Pena e asco num ponto de ônibus.” (08-01-07)

Um dia passeando por uma bela praça, em uma dessas capitais brasileiras, tive a impressão que o tempo parou. Parou para que eu pudesse baixar os olhos e ver, embaixo de um banco de ponto de ônibus, uma das imagens mais asquerosa que já vi nesta minha vida doentia; lá embaixo estava uma vagina entre aberta, imunda, degradante, suja, escura de sujeira e de suor, quase encostava-se ao chão, e mesmo que eu me negasse a olhar para ela, ela me chamava, me gritava, gemia,urrava, berrava tentando me contar que ela também faz parte de mim, pois os primeiros caminhos que tive na vida foi através uma vagina. Vagina igual aquela que esta ali jogada, degradada, mas que já proporcionou muitos prazeres e alegrias no crepúsculo de uma noite chuvosa. Mas naquele dia de sol, só poderia me proporcionar Pena e asco, por ver o quanto é degenerante a vida dura daqueles anjos decaídos que estão nas ruas.
O tempo não havia parado, o tempo não pára. Eu é que me desliguei do “caos” por um instante para perceber a caótica realidade na qual estamos inseridos.
Neguei-me a continuar olhando aquela imagem.

Uma resposta to “homens Cinza”

  1. orixascenteremcena 16 de agosto de 2010 às 4:21 pm #

    La crueldad cotidiana nos pide ser seres insensibles… pero nuestro trabajo gracias a dios es mucha sensibilidad, un lugar donde manifestar eso y despertar la humanidad de aquello que no sabemos como viven o sobreviven aquellos que se cubren de bolsas (sacolas) plásticas para dormir o aquellos que llevan las bolsas (sacolas) plasticas llenas de vacío en las manos

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